Evento reuniu agricultores, organizações e movimentos sociais no Assentamento Terra Nossa, em Ponto Novo, para celebrar a diversidade das sementes crioulas e fortalecer estratégias de convivência com as mudanças climáticas
Entre os dias 18 e 19 de setembro, a ARCAS participou da 4ª edição do Festival de Sementes Crioulas da Bahia, realizado pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), no Assentamento Terra Nossa, em Ponto Novo, no centro-norte da Bahia. Com o tema “Sementes Crioulas – da resistência camponesa à soberania alimentar” e o lema “Sementes Crioulas, semeando soberania para enfrentar o capital e as mudanças climáticas”, o festival reuniu agricultores e agricultoras, organizações sociais, movimentos populares e parceiros em uma programação voltada à valorização das sementes crioulas, dos saberes tradicionais e da agricultura camponesa.

A participação da ARCAS ocorreu por meio do Projeto Raízes Agroecológicas, executado na Bahia em parceria com ARCAS, CPC-MPA e SASOP. Durante os dois dias de programação, a organização esteve presente com um stand destinado à apresentação das ações desenvolvidas pelo projeto e à troca de experiências com participantes de diferentes territórios.

Um dos destaques foi a apresentação e comercialização do flocão de cuscuz produzido a partir de milho crioulo, livre de agrotóxicos e transgênicos. O produto representa uma das formas de valorização da agrobiodiversidade e da produção da agricultura familiar, aproximando a conservação das sementes crioulas da alimentação presente no cotidiano das comunidades.
Na sexta-feira, a ARCAS esteve representada pelo colaborador Zé Pequeno, que participou do Painel I – Sementes Crioulas e Soberanias. O momento proporcionou a troca de conhecimentos e reflexões sobre a importância das sementes crioulas para a autonomia das famílias agricultoras, a conservação da biodiversidade e a construção de sistemas alimentares mais sustentáveis.

A discussão também reforçou a necessidade de preservar os conhecimentos construídos pelas comunidades rurais ao longo das gerações e ampliar estratégias que garantam às agricultoras e aos agricultores o direito de conservar, multiplicar, trocar e utilizar suas próprias sementes.
Conhecimento que se planta e experiência que se compartilha
No sábado, a programação contou ainda com uma visita ao corredor agroecológico, coordenada por Reinan Santana, da ARCAS, juntamente com representantes do CPC-MPA e do SASOP.. A atividade foi realizada na propriedade de Anderson Secundo e possibilitou aos participantes conhecer, na prática, uma experiência de manejo e produção baseada nos princípios da agroecologia.
A visita contribuiu para aproximar teoria e prática, mostrando como os corredores agroecológicos podem fortalecer a diversidade produtiva, a conservação dos recursos naturais e a construção de alternativas de convivência com os desafios climáticos enfrentados pelas comunidades do Semiárido.
A participação da ARCAS no festival reafirma o compromisso da organização com a agroecologia, a conservação da agrobiodiversidade, a agricultura familiar e a convivência com o Semiárido. Mais do que sementes, as variedades crioulas carregam histórias, conhecimentos e modos de produzir construídos pelas comunidades rurais. Preservá-las significa também proteger a diversidade dos territórios e fortalecer a autonomia de quem vive e produz no campo. Porque cada semente crioula carrega uma história. E cada história plantada no território pode germinar em novas possibilidades para o futuro.


















